quinta-feira, 27 de maio de 2010

Entrevista Sara

- Quanto tempo levas trabalhando?

Pois quase já os cinco anos. Começei trabalhar com dezaseis anos nas férias de verám na hotelaría, ainda estudava. Assim sigo hoje, mas já nom só nas férias claro.

- É um trabalho do que gostas?

A verdade é que sim, é muito esclavo... mas tem as suas cousas possitivas, conheces gente de todos tipos, fas novas amizades. Ainda que tenho que acrescentar que nom é o que quero para o meu futuro, por isso continuo a estudar.

- É um sector bastante complexo em multidom de ocassions, algumha vez sentiches algum tipo de discriminaçom polo facto de ser mulher?

Trabalhei desde bares até taperias ou restaurantes, aí há de todo... mas o que sim é certo e que muitas vezes os homens continuam a crer que polo facto de ser mulher e estar detrás do balcom... bom que tes que aguantar de todo. Muitas vezes tes que apresentar-te com um carácter que nom é o teu.

- Estudar, trabalhar e ainda por acima na hotelaría... como compaginas todo?

Bom... pois adicando todo o dia... mas agora mesmo tenho a sorte de contar um horário laboral que me permite seguir estudando. Mas sim, pouco tempo para mim e as minhas necessidades...

- Que opinas das condiçons laborais de teu sector de trabalho?

Agora mesmo estou contenta porque estou asegurada oito horas, ainda que faga algumha de mais... mas já sabes como é a hotelaría... houvo sitios onde estava asegurada por quatro horas e trabalhava 10... e isso é o que atopas em quase todos lados... polo que estou bastante contenta com meu trabalho actual.

- Um sector também altamente feminizado. É máis fácil atopar trabalho sendo mulher?

Bastante fácil. Hoje em dia segue-se pensando que umha mulher trás o balcom "chama máis", polo que haverá maior número de clientela e maior benefício. Suponho que como professora de auto-escola a cousa nom será tam fácil, aí sim que nom sei, nom podo asegurar que vaia ter as mesmas oportunidades que os homens.

- Muitas horas de trato com pessoas de todas as idades, consideras que na juventude há diferências educacionais no relativo à igualdade?

A cousa está muito avançada que há dous ou três anos, mas que nom existe umha igualde real em trato, consideraçom, etc., disso estou segura. É máis, acho que fica muito, muito caminho por andar, que a "igualdade" que há nom chega.

- Estudas para o teu futuro e trabalhas para poder estudar, poderias manter esta situaçom vivndo soa com todo o que conleva?

Definitivamente nom. Minha mae e pai ajudam muito... ainda que a minha situaçom laboral actual é muito melhor que as anteriores, nom poderia nem pagar um aluguer. Mas isto também é devido a que as facilidades para estudar som quase zero. Tenho que pagar o curso que estou fazendo, por isso também tenho que trabalhar e nom podo adicar todo o tempo necessário à minha formaçom.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

VII Certame Literário Feminista do Condado

Mais um ano, de esta volta acadando a sua Sétima ediçom, sae a rua o Certame Literário Feminista do Condado publicamos a seguir as suas bases:

1- A temática será livre sempre que esteja relacionada directa ou indirectamente com a situaçom de opressom, dominaçom e exploraçom que padecem as mulheres no actual sistema patriarcal.

2- Poderám participar todas as mulheres que o desejarem sem limites de idade.

3- Os trabalhos serám apresentados exclusivamente em língua galega.

4- O certame está aberto a qualquer género literário (romance, poesia, teatro, ensaio).

5- O júri é constituído por três mulheres representativas da comarca.

6- O prémio estará dotado com 300 euros, podendo o júri declará-lo deserto ou dividir a quantidade citada em accesits na sua totalidade ou em parte.

7- O prazo de apresentaçom de trabalhos finaliza quinta feira dia 30 de Setembro de 2010.

8- Os trabalhos serám apresentados por triplicado num envelope em que se fará constar na parte exterior o título e um pseudónimo da autora e, em envelope diferente, identificado com o título do trabalho e o seu pseudónimo, serám entregues os dados pessoais da autora: nome e apelidos, Bilhete de Identidade (BI), endereço, telefone de contacto.Os envelopes serám enviados por correio certificado a Rua Ciclista Emilio Rgues nº6 2ºC C.P. 36860 de Ponte Areias, a nome da AMC.

9- O trabalho ou trabalhos premiados ficarám em propriedade da Assembleia de Mulheres do Condado. Embora a autora ou autoras manterám os seus direitos sobre segundas ou posteriores ediçons de ser publicado o trabalho premiado.

10- Os trabalhos nom premiados ficarám a disposiçom das autoras durante um prazo de dous meses umha vez atribuído o prémio. Após finalizar este período de tempo, serám destruídos.

11- A interpretaçom das presentes bases som atribuiçom do júri.

12- A decisom do júri é inapelável.

13- A participaçom no prémio supóm a aceitaçom das suas bases.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Entrevista Marta

- Como compatibilizas a tua vida laboral e familiar?
Saio da casa às seis e meia da manhá e chego as oito e meia da noite, podo-a compatibilizar porque non tenho crianças e deixando as cousas da minha casa a meio fazer muitas vezes por falta de tempo…

- Como é a distribuiçom das tarefas domésticas na tua casa?
Quase que nom há distribuiçom, quase todo por nom dizer todo fago-o eu, sacando tempo do meu descanso para poder fazê-lo, a minha parelha as vezes ajuda, mas poucas vezes…

-Nas ultimas décadas som evidentes os avanços produzidos nas conquistas de direitos. Som mais formais que reais?
Eu penso que sim, que nos dizem que temos os mesmos direitos, e nom é certo. Por exemplo, polo simples facto de ser mulher e “poder ficar grávida” em muitíssimos sítios dam o posto de trabalho a um homem ainda que esteja menos capacitado.

- Cada vez som mais as mulheres conscientes da importáncia de umha educaçom igualitária. O sistema educativo nom segue reproduzindo os roles da desigualdade?
Eu penso que tanto o sistema educativo como muitas maes que conheço. Ainda há colégios onde as crianças som separadas por sexos, ao igual que há mulheres que ainda fam diferenças entre os filhos e as filhas, como no horário de saída, na casa som as nenas as que tenhem que recolher a mesa, lavar os pratos… enquanto eles jogam com as “maquinitas”.

- Os dados manifestam que realizando idêntico trabalho umha mulher cobra 25% menos que um homem. Como pensas que se pode modificar esta desigualdade laboral?
O primeiro que temos que fazer as mulheres e exigir nos trabalhos sempre os nossos direitos; no salário, nas férias, etc. A igual posto de trabalho igual contrato, porque o trabalho a desenvolver é o mesmo.

- Como traballadora tés padecido algumha forma de discriminaçom laboral?
No meu trabalho nom, eu som empregada do fogar, e aqui sempre se trata com as mulheres mais que com os homens. Eu em concreto nunca sentim um trato discriminatório.

- No teu sector concreto quais som as principais demandas para melhorar as condiçons de trabalho?
O mais urgente e poder ter um contrato de trabalho, no que se nos reconhecesse que é um trabalho, que temos que realizar para os nossos chefes também podam trabalhar. Deveríamos ter direito ao desemprego, que non temos. E na segurança social cobrar as baixas desde o primeiro dia coma qualquer trabalhadora remunerada, porque agora tés que ter mais de 29 dias de baixa para cobrar, com o qual se o chefe nom quer pagar-te esses 29 dias, nom cobras nada.

- A luita feminista tem logrado que a violência machista vaia perdendo impunidade. Ainda fica muito por andar?
Acho que sim, fam falha umhas leis muito mais duras, para que maltratar, ter amedrentada e mesmo matar a umha mulher nom seja tam barato. Também som necessários mais meios para que quando umha mulher nom deixe passar nem primeira sensaçom de maltrato que perceba. As leis deveriam obrigar a que sejam eles os que se vaiam da casa, nom as mulheres, que em muitos dos casos tenhem que deixar família, amigos e seu fogar para poder escapar, sem que ninguém faga nada para que a situaçom mude.

domingo, 25 de abril de 2010

Contra as agressons AUTOORGANIZAÇOM!

Dous novos casos de violência machista contra mulheres do Condado. Um dos agressores acumula já várias denúncias por ataques a mulheres. Perante os nossos olhos, na nossa vila, na nossa paróquia, as nossas vizinhas, amigas e companheiras de trabalho estám a ser brutalmente agredidas. Mais umha vez, parece que só as feministas estamos dispostas a denunciar e actuar… e assim é, estamos dispostas!

Já chegou de fecharmos os olhos e calar. A diário as mulheres do Condado levamos hóstias, somos perseguidas e violadas, vivemos com medo dos homens, nom temos outra que obedecer os nossos maridos e companheiros se nom quigermos levar umha tunda. Sabemos bem que as quatro linhas que -de má vontade- publicam os jornais som apenas umha ínfima parte do problema. Som poucas as mulheres que se atrevem a denunciar e menos ainda as que decidem fazê-lo publicamente.


Os juízes, os representantes municipais, os polícias e guardas civis nom vam acabar com a violência contra as mulheres. Eles som parte do problema, eles som cúmplices (e por vezes responsáveis directos) da situaçom que padecemos. Som os que nos esquecem nos actos oficiais, som os que nos questionam e desprezam quando denunciamos, som os que ditam sentenças ridículas contra os nossos verdugos, som os que nos negam o apoio económico que necessitamos para sairmos adiante por nós próprias...


É questom de vida ou morte. Nom vamos esperar à notícia dum novo assassinato. As mulheres do Condado temo-lo claro, a única saída que temos é a autoorganizaçom, juntarmo-nos e enfrentar o terrorismo machista lá onde aparecer, denunciar e conscientizar, arroupar as vítimas e fazer-lhes um sítio para que luitem ao nosso lado, encurralar os agressores e dar-lhes o que merecem. Porque unidas somos fortes, muito fortes, unidas nom há medo, unidas podemos defender-nos e devolver os golpes.


Da Assembleia de Mulheres do Condado fazemos um apelo urgente às vizinhas da comarca para se somarem ao combate contra o terrorismo machista. Pom-te já em contacto com a AMC!