sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Desejos para o 2011















A Assembleia de Mulheres do Condado deseja as suas leitoras, e a todas as mulheres, um ano 2011 cheio de exitosas luitas feministas para a superaçom do patriarcado.

Entrevista

A seguir publicamos a última entrevista da AMC polo 8 de Março.

SOFIA

- Quanto tempo levas trabalhando?

As cousas para atopar trabalho difíceis... mas tenho que reconhecer que no meu sector van-se atopando cousinhas... quase sempre som contratos curtos, às vezes incluso de horas... agora levo 4 dias em esta empresa.

- Como som as tuas condiçons laborais?

Moi boas, porque em geral os tipos de contratos e condiçons laborais em este sector nom som muito bons.

- Achas que este tipo de contratos facilitam a emancipaçom e sobrevivència das mulheres jovens de forma autónoma?

Sim... com contratos de longa duraçom... a verdade e que o que me gustaria é poder viver disto, por isso quero ser possitiva...

- Este é um sector altamente feminizado, é mais facil atopar trabalho por ser mulher?

Sim, no meu caso actual todas as trabalhadoras somos mulheres. É um sector feminizado quase por completo, ademais de estar de actualidade, polo que acho que sim...

- Poderiamos definir-te como co-educadora, achas que na actualidade nenas e nenos recebem os mesmos valores sociais, culturais, etc?

Quero pensar que sim... mas é evidente que existem difereças nos comportamentos entre nenas e nenos.

- Com o jovem que eres e um horario de 4h poderias seguir formándote, é facil?

Nom muito... há muita gente que quere fazer cursos e poucas praças, mas sobre todo é um problema económico, normalmente se custo é elevado.

- Algumha vez sentis-te algum tipo de discriminaçom no teu posto de trabalho?

Nom, nunca. Mas como dixem com anterioridade trabalho únicamente com mulheres.

- Fala um pouco sobre o teu trabalho e actividades.

Trabalho como monitora de tempo livre, fago todo tipo de actividades com crianças, talheres de reciclagem, de natureza, rutas, actividades de campo, etc...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

"POR UM USO NOM SEXISTA DOS BRINQUEDOS"

Mais um ano, a Assembleia de Mulheres do Condado sai à rua para denunciar a utilizaçom e manipulaçom das crianças por meio da publicidade e venda de brinquedos que, na sua maioria, agochados tras cores supostamente inofensivas, reproduzem a injusta divisom sexual do trabalho e o heterossexismo.

O jogo mostra-se como umha actividade simbólica expressiva, como um mecanismo de socializaçom e como um proceso de comunicaçom. As capacidades intelectuais, psíquicas, emocionais e motoras das crianças desenvolvem-se de maneira mais optima por meio do jogo e dos instrumentos precisos para o pôr em prática: os brinquedos.

Mas segundo a publicidade de brinquedos, as nenas divertem-se penteando-se e mudando de roupa quatro vezes por dia. A estética, a moda e a maquilhagem ocupam umha grande parte dos brinquedos oferecidos, junto com a nena mae e cuidadora, predizendo assim um destino quase inevitável.

Ao contrário, os nenos, além dos típicos carros e bonecos de brigar e material bélico, som os protagonistas dos anúncios de brinquedos de desenvolvimento intelectual e cognitivo. As suas actividades estám ambientadas, em muitos casos, no exterior da casa, enquanto os das nenas brincam dentro do seu lar.

Mantenhem-se assim as opressoras dicotomias de género entre os roles sociais a desempenhar por homens e mulheres, os espaços a ocupar entre o público e o privado, e a eterna mediçom de forças entre os repressentantes das guerras e as donas da casa. Estas fendas ideológicas incidem gravemente nos procesos de elaboraçom das identidades que experimentam nenas e nenos, perpetuando assim as diferenças por razom de género; diferenças nas quais as nenas som formadas como seres passivos, indefensos e dependentes dos homens.

De Assembleia de Mulheres do Condado fazemos um apelo para umha conciência crítica frente ao consumo e à utilizaçom sexista-bélica dos jogos e brinquedos. Nom podemos tolerar que as ferramentas lúdicas da educaçom estejam carregadas de estereótipos, definindo o papel social a desempenhar polas crianças no futuro.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entrega prémio



Esta passada Sexta-feira 17 tivo lugar na livraria Milfolhas em Ponte Areias a entrega do prémio do VII Certame Literário Feminista do Condado.



Maria Rosendo recitou seu poema, ganhador desta ediçom, intitulado Dodra e dous mais da sua autoria.

Além do prémio, quixemos presentear á ganhadora, ao igual que ao juri, Ana Marinho e Chus Suarez, com um CD elaborado pola nossa Assembleia: Orgulho de Sermos Mulheres Volume II, um CD duplo com Vozes da Galiza e Vozes do Mundo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Assembleia de Mulheres do Condado deu palestra no IES Val do Tea

Quinta feira 2 de Dezembro a AMC foi dar umha palestra no IES Val do Tea de Ponte Areias sobre a violência machista.

Polo seu interesse reproduzimos os resultados do inquérito realizado entre @s 88 estudantes assistentes (jovens de 4º e 3º de ESO) que constou de cinco perguntas.

-Machismo e Feminismo. Som a mesma cousa?

Moças 3º: 89% acha que nom.

Moças 4º: 95% acha que nom.

Moços 3º: 90% acha que nom.

Moços 4º: 81% acha que nom.

-Consideras que os ciumes som umha demostraçom de amor?

Moças 3º: 55% acha que sim.

Moças 4º: 10% acha que sim.

Moços 3º: 5% acha que sim.

Moços 4º: 29% acha que sim.

-Culpa, abuso emocional, isolamento, controlo. Consideras que estas atitudes som identificativas de umha relaçom violenta?

Moças 3º: 100 % acha que sim.

Moças 4º: 81% acha que sim.

Moços 3º: 95% acha que sim .

Moços 4º: 85% acha que sim.

-Se umha mulher é maltratada continuamente, a culpa é sua por nom separar-se?

Moças 3º: 28% acha que sim.

Moças 4º: 23% acha que sim.

Moços 3º: 40% acha que sim .

Moços 4º: 32% acha que sim.

-Os homens maltratadores fam-no porque tenhem problemas com o alcool, com as drogas ou porque estam loucos?

Moças 3º: 58% acha que sim.

Moças 4º: 34% acha que sim.

Moços 3º: 52% acha que sim .

Moços 4º: 60% acha que sim.

Perante o grau de conhecimento do nosso colectivo feminista constatamos que 17% do estudantado presente conhecia a existência da AMC.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Maria Rosendo Priego ganha VII Certame Literário Feminista do Condado

O júri, composto por Mª Xesus Suárez Nuñez (professora de secundária no IES Val do Tea de Ponte Areias), Ana Mariño Álvarez (professora do CEPI Infante Felipe de Salvaterra) e Ilduara Medranho Gonçales (em representaçom da Assembleia de Mulheres do Condado ), após avaliar os diferentes trabalhos apresentados no VII Certame Literário Feminista do Condado, acordam dar um accesit de 150€ ao trabalho intitulado “Dodra” de Maria Rosendo Priego, de Compostela.

A entrega do prémio terá lugar na Livraria Milfollas de Ponte Areias o dia 17 de Dezembro às 18h.

Mais um ano queremos agradecer a todas as mulheres participantes de este certame e animamos-vos a seguir participando nos vindouros.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

AMC denúncia na rua terrorismo machista


Sábado 27 de Novembro tivo lugar diante da Cámara Municipal de Ponte Areias umha acçom simbólica de denúncia enquadrada no “Dia contra a violência machista”.

Quatro activistas da Assembleia de Mulheres do Condado deitarom-se no chao para pintar as suas siluetas. Seguidamente fôrom identificadas com o nome das quatro mulheres galegas assassinadas polo terrorismo machista este ano: E.D..A., Monserrat Labrada, Maria Rosa de la Hoz e Isabel Solha.

Posteriormente deu-se leitura ao manifesto com berros de “Nengumha agressom sem resposta, nengum agressor sem castigo”.

Para finalizar a companheira Belém Grandal recitou dous poemas da sua autoria intitulados “Soltar Lastro” e Furacám Marinho” que reproduzimos a seguir.





SOLTAR LASTRO

Arrastam as nuvens a espessura do dia

e no teu corpo meu alento expande

o silêncio

Abrolha clara e morna a luz do amencer

quentando o suor ainda nom esvaido

do êxtase

Mexem-se os corpos ao ritmo do pranto

da criança no berço, sem colo ao que asir

o sono perdido

e os últimos laios de prazer espalham as

húmidas fragrâncias dos teus beiços

na minha pele

O dia muda o rumo dos factos consumados

e dos desejos incumpridos sentindo ferido

teu orgulho doente

Derramam as bágoas minhas esperanças

enquanto na tua mirada assoma de novo

um ar gélido,

mas o virus do teu ego enaltecido

nom atingiu a minha dignidade de mulher

erguida e com coragem

Colivim com o muro da tua incomprensom

exigindo o espaço que me protegia

da tua arrogância

Nom som um reclamo como canto de sereia

atraindo aos navigantes para afundir o seu

destino

Som companheira na viagem da vida, nom

inimiga dos caminhantes na procura do trajecto

cara a felicidade.

Nom quero tua compaixom, mas sim a devolta

da minha plena existência, ainda hoje ferida

e danada

Já nom hei permitir minha encuberta, som visíbel,

unindo as minhas forças com o resto

da humanidade

Som eu, dando fôlegos, alumeando

um novo dia, soltando teu lastro

Som ascuas derretendo as cadeias que

me atavam ao teu universo masculino.

Eu, sem complementos, eu completa,

eu definida, eu só, eu mulher, eu pessoa,

eu a pensar, eu a decidir, eu a fazer,

eu a comprender,

eu a compartilhar, eu a…

Eu…

E tu quém es? Queres compartilhar?

FURACAM MARINHO

Barca em que navego desorientada

Sinto mareios com o seu embalar agitado

nas augas bravas

encoleriçadas, de remuinhos

pretos e abissais.

Os remos nom me pertencem

nom os dou topado para vencer

o furacam de auga que já me afoga

Abraça minha cara com força

incoerente e abatidora.

De súpeto lança-me

em todas direcçons

Surgem das profundidades

ondas gigantes coma tsunamis

Sua negrura abrumadora

produz-me terror mas também

ansias e raiva para poder

destruir sua enorme potência,

imensa e devoradora do meu ser

ferido, mas íntegro.

Aquí estou, só, e no isolamento

luito contra a besta cruel

que deseja possuir-me.

Contra este poder egoista

e aniquilador:

Nas noites de lua crescente

com envolvente circo. Parece que

muda o tempo e me disponho...

Ou as de lua cheia onde crio

feitiços para acabar com

a maldade da natureza...

Na saudade dos dias a passar

lentos, espessos e opacos.

Nas primaveras que ainda

sinto longe...

Nos invernos perpétuos

que me acompanham

a cada momento.

Nas horas polas que o tempo

nom passa e som acedas.

Na extensom do meu quarto

de salvaçom, onde fico isolada

desafogo e reuno forças.

Qual é a causa de quereres

submeter-me a inconsciência

fóbica dum furacám marinho?

Qual é o motivo desse ímpeto

desmesurado de apoderares-te

da minha vida?

Qué farás após me destruires pola

força dos teus desastres psico-naturais?

Achas que teu trunfo será exemplo

para manter em pé outros furacáns

assoladores e catastróficos?

E depois qué...O teu trunfo há ser

a desgraça dumha parte essencial

da Humanidade, e tu, já

nom serás mais que o engendro

da morte.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

25 de Novembro: Dia contra o terrorismo machista

Desde há várias décadas o feminismo galego emprega também o 25 de Novembro, “Día contra o terrorismo machista como umha data de luita e reinvindicaçom ,na que visibilizar a nosso trabalho continuo contra um sistema que ,em cumplicidade com governos e igreja católica , perpetuam a opressom, exploraçom e dominaçom das mulheres.


Todos os dias centos de mulheres na Galiza sôfremos diversas formas de violência machista, tanto a maos de nosso par como de vizinhos , familiares ou chefes. Junto a esta realidade, nom devemos esquecer a violência própria do actual modelo económico que nos utiliza como objectos de praçer e consumo.


Som já quatro as mulheres galegas assassinadas este ano polo terrorismo machista, E.D.A., Monserrat Labrada, Maria Rosa de la Hoz e Isabel Solha que já nom estám connosco porque fôrom mortas polo terrorismo patriarcal.


Estamos já fartas de que as soluçons tenham que ser: telefone de ajuda à mulher, laços lilás nas solapas de políticos ou apelos a denunciar perante a polícia, denuncias que na sua maioria ficam coleccionadas nas gavetas da mesma Guardia Civil que trafica com mulheres.


Neste 25 de Novembro de 2010 voltamos a reclamar, como em anos anteriores, as medidas urgentes de:


-Fazer públicas as denúncias de todos os maos tratos, sem termos que esperar que sejamos assassinadas para sair na TV e nos jornais.

-Cumprir de maneira estrita a aplicaçom das leis que regulam o tratamento nom sexista das mulheres nos meios de comunicaçom.

-Incrementar as casas de acolhida unifamiliares fronte ao modelo macro-residencial atual.

-Ampriar e melhorar os serviços jurídicos e de assessoramento gratuítos formados por mulheres.

-Implementar novas ferramentas pedagógicas para um ensino co-educativo.


Desde a AMC continuamos coa nossa reinvindicaçom e defessa da autoorganizaçom feminista, como única saída em esta nossa luita contra do atual sistema patriarcal, que persegue e pretende a nossa submissom inferiorizandonos, insultandonos, violandonos, até nos matar.



CONTRA O TERRORISMO MACHISTA,

AUTOORGANIZAÇOM FEMINISTA!!


Condado, 25 de Novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mais umha mulher assassinada?

A resposta é sim, que fosse ou nom o seu próprio dedo o executor nom exclui ter sido a quarta vítima do terrorismo machista na Galiza este ano 2010. Dizemos isto porque se Isabel Solha, vizinha de Gondomar, foi quem fijo o disparo que rematou com a sua vida nom foi para suicidar-se, foi para acabar com o que probavelmente nom podia seguir vivindo, a sua opressom.
Dizem que vivia aterrada já que pressumívelmente era vítima de maos tratos por parte do seu companheiro Borja Rial, fosse ou nom o que disparou, ele tem evidentes responsabilidades da sua morte em primeira instância e as instituçons, o sistema judicial etc, também som culpáveis. Por quê?

Porquê segue sem haver avanços na protecçom das mulheres que denunciam as agressons, porque muitas mulheres nom denunciam por temor às repressálias e porquê nom se sintem protegidas polo sistema, porquê seguimos morrendo, porquê somos humilhadas, vejadas, etc

De AMC queremos demonstrar o nosso apoio às mulheres, e sem auto-organizaçom nom é possível um avanço na nossa luita para acabar com a dominaçom dos homens sobre nós, e com o sistema patriarcal que nos marginaliza e oprime.


Nom queremos seguir sendo vítimas!!!


terça-feira, 21 de setembro de 2010

Exposiçom entrevistas

Após o paro estival volta estar na rua a exposiçom da AMC com motivo do Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Podedes atopa-la na sala de exposiçons do Concelho de Mondariz Balneário desde Segunda feira 20 até Quinta feira 30 de Setembro.

Reproduzimos a seguiir mais umha das entrevistas:


CARMEN

– Trabalhaste com anterioridade de forma remunerada?

Trabalhei. Comecei a trabalhar quando estudava numha tenda de roupa num mercado de Barcelona. Depois estivem quatro anos como telefonista sem nengum tipo de contrato regular, entre 6 e 7 anos numha fábrica têxtil e também fum autónoma com umha pequena tenda em Salvaterra.


- Consideras que poderias desempenhar de igual modo este trabalho se também trabalhasses fora?
Quando fiquei grávida dim-me de conta do difícil que seria poder trabalhar fora, na casa e criar a minha filha. Nesse mesmo momento também estava estudando cabeleiraria, estudos que conjuntamente com o trabalho deixei para poder dedicar-me como queria ao cuidado da minha casa e filha, foi umha decisom tomada por mim, mas com apoio sempre do meu companheiro.

- Se tiveras elegido seguir trabalhando fora, achas que poderia ter sido igual?
Nom. Nesses momentos pesou mais a decisom de criar a minha filha. O sistema de infantários públicos estava pior do que hoje em dia, sim é certo que poderia tê-la deixado com umha vizinha que se ofertou, mas apesar de todo nom me pesa ter elegido essa opçom. Estou mui orgulhosa.

- Quando decidiste deixar o trabalho remunerado que diferenças sentiste?
Nesse momento foi umha mudança positiva por todo o relacionado com a nena. Mas também é certo que quando trabalhar fora da casa mantenhem-se outro tipo de relaçons...


- E agora?
Claramente preferiria trabalhar fora da casa, desde há anos. Mas a realidade é que nom existem praticamente possibilidades. A situaçom actual, vê-se agravada polo facto de ser mulher e pola minha idade. Hoje, ao igual que há anos nom existe a possibilidade de poder combinar o trabalho doméstico com o de fora e com o cuidado das crianças…

- Quantas horas dedicas diariamente ao teu trabalho?
Na actualidade, com as nenas já adultas o trabalho baixou muito e é mais aborrecido. Mas fazendo um cálculo... toda a manhá, e também de tarde... acho que umha média de 7/8 horas diárias.

Achas que deveria ser um trabalho assalariado?
Por suposto. Fazemos um trabalho social, somos economistas, cozinheiras, criadoras, limpadoras, médicas, etc. Se a mulher nom trabalha na casa e nos cuidados de maiores e crianças ( nom falemos se a isto lhe sumamos as netas e netos) teria que ser o estado quem invertesse o dinheiro em centros, coidadores, etc. Somando que facilitamos o descanso de filhas/os e companheiros.... A minha família é como umha empresa, que tem que funcionar e eu encarrego-me disso.
Também quero acrescentar que com a importáncia que tem o nosso serviço para o estado, deveria ser recompensado e reconhecido, o nosso trabalho deveria estar considerado polo menos com um cômputo de anos trabalhados e o direito a umha pensom de reforma.

- Definirias-te entom como o motor de teu núcleo familiar?

Nom... sim... nom gostaria de defini-lo assim... porque todas e todos colaboramos para que todo funcione bem… mas suponho que fazendo umha análise eu fum a encarregada da educaçom das minhas filhas, das necessidades básicas alimentares, sanitárias etc. Acho que sim, que sou umha espécie de motor.

sábado, 18 de setembro de 2010

Terceira mulher assassinada na Galiza

Há poucos dias saímos à rua a denunciar o assassinato de Monserrat Labrada Campos, hoje tivemos que sair mais umha vez já que o dia 15 de Setembro foi brutalmente assassinada a martelaços polo seu ex-companheiro, Júlio Fernández, de 56 anos Maria Rosa de la Hoz Rodríguez, de 34 anos residente de Pontecesso.
AMC volta condenar o terrorismo machista com o reparto de vários centos de panfletos na feira de Ponte Areias.

Nengum agressor sem castigo!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

FICAM QUINZE DIAS

Ficam quinze dias para que remate o praço de apressentaçom de trabalhos do VII Certame Literário Feminista do Condado a seguir reproduzimos novamente as bases, animádevos a participar estamos-vos aguardando:


1- A temática será livre sempre que esteja relacionada directa ou indirectamente com a situaçom de opressom, dominaçom e exploraçom que padecem as mulheres no actual sistema patriarcal.


2- Poderám participar todas as mulheres que o desejarem sem limites de idade.


3- Os trabalhos serám apresentados exclusivamente em língua galega.


4- O certame está aberto a qualquer género literário (romance, poesia, teatro, ensaio).


5- O júri é constituído por três mulheres representativas da comarca.


6- O prémio estará dotado com 300 euros, podendo o júri declará-lo deserto ou dividir a quantidade citada em accesits na sua totalidade ou em parte.


7- O prazo de apresentaçom de trabalhos finaliza quinta feira dia 30 de Setembro de 2010.


8- Os trabalhos serám apresentados por triplicado num envelope em que se fará constar na parte exterior o título e um pseudónimo da autora e, em envelope diferente, identificado com o título do trabalho e o seu pseudónimo, serám entregues os dados pessoais da autora: nome e apelidos, Bilhete de Identidade (BI), endereço, telefone de contacto.Os envelopes serám enviados por correio certificado a Rua Ciclista Emilio Rgues nº6 2ºC C.P. 36860 de Ponte Areias, a nome da AMC.


9- O trabalho ou trabalhos premiados ficarám em propriedade da Assembleia de Mulheres do Condado. Embora a autora ou autoras manterám os seus direitos sobre segundas ou posteriores ediçons de ser publicado o trabalho premiado.


10- Os trabalhos nom premiados ficarám a disposiçom das autoras durante um prazo de dous meses umha vez atribuído o prémio. Após finalizar este período de tempo, serám destruídos.


11- A interpretaçom das presentes bases som atribuiçom do júri.


12- A decisom do júri é inapelável.


13- A participaçom no prémio supóm a aceitaçom das suas bases.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PAREMOS O TERRORISMO MACHISTA















Mais umha vez temos que lamentar o assassinato de umha mulher vítima do terrorismo machista Monserrat Labrada Campos de 43 anos é a primeira vítima mortal da Galiza no ano 2010 foi assassinada em Lugo polo seu companheiro na madrugada do 26 de Agosto.
Por esse motivo a Assembleia de Mulheres do Condado o Sábado 4 de Setembro, aproveitando que em Ponte Areias havia a IV Feira Tradicional dos Remedios, saímos a rua para denuncialo.








NENGUMHA AGRESSOM SEM RESPOSTA!!


NENGUM AGRESSOR SEM CASTIGO!!







sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Salvaterra denúncia agressom sexual

Sexta feira 13 de Agosto às 20 h tivo lugar em Salvaterra umha concentraçom de repulsa a agressom sexual ocorrida dias atrás no festival da mesma vila chamado "O Son da muralla".

Várias dúzias de vizinhas e vizinhos respaldárom a convocatória promovida pola AMC realizada diante da Casa do Concelho.

Reproduzimos a seguir o manifesto elaborado e distribuido para denunciar a agressom machista.


Desde a Assembleia de Mulheres do Condado queremos denunciar o acontecido este passado Sábado no "Son da Muralla", festa organizada polo Concelho de Salvaterra de Minho calificada polo alcaide Arturo Grandal de "festa sana para a juventude". A festa em questom era este ano abertamente sexista, publicitando por exemplo à única mulher DJ assistente pola sua actuaçom em top-less.

Numha noite de numerosas pelexas, roubos, destroços de material público e privado, tivo lugar umha agressom sexual que queremos denunciar e fazer pública.

A pouca informaçom da que disponhemos responde e evidência umha outra vez a importáncia que nesta sociedade tenhem os nossos direitos. Umha sociedade patriarcal e machista que tapa e cala todo tipo de agressons que as mulheres padecemos dia a dia.

É assim que os dados dos que diponhemos e nom podemos verificar na sua totalidade som:

- A jovem tem 17 anos e mora em Salvaterra.
- O agressor era moreno, alto e com um piercing na celha.
- A mulher presentou a primeira denúncia no recinto das muralhas essa mesma madrugada a umha patrulha da guardia civil alí pressente.
- No Domingo apressentou denúncia oficial no quartel da GC.

Umha realidade silenciada por parte do Concelho de Salvaterra, que semelha intentar ocultar, polo que se forom convertindo este tipo de actos. É assim que após ver-se presionados a fazer públicas algumha declaraçons estas estam centradas em que havia segurança suficiente ( quando a realidade e que tanto ambuláncia como seguridade privada marcharom do recinto sobre as 6h, antes de que rematara o festival, e os factos acontecerom perto das 8h), ou que a agressom ocorreu na ribeira do rio polo que nom tenhem nengumha responsabilidade.

Com esta nota pretendemos informar e pressionar para que isto nom fique na sombra para assim favorezer interesses económicos tanto públicos e privados.


Chamamos a todas as mulheres da Comarca a contactar com a AMC para continuar com a necessária auto-organizaçom das mulheres para tomar consciência e conciência da crua realidade à qual nos submete o patriarcado e combater juntas para evitar as terríveis consecuências.


NENGUMHA AGRESSOM SEM RESPOSTA!!
NENGUM AGRESSOR SEM CASTIGO!!

Salvaterra 9 de Agosto de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

AMC com o desporto de base feminino

A passada fim de semana voltava a celebrar-se em Salvaterra de Minho o Torneio de Fútebol 24h, umha iniciativa lançada por um grupo de moças e moços do Condado. As e aos quais queremos parabenizar por todo o trabalho desenvolvido ano após ano, apostando polo desporto galego.

A sua evoluiçom cara o respecto, toleráncia e igualdade entre sexos levou a que já na ediçom passada da Assembleia de Mulheres do Condado quigéramos achegar o nosso grao de areia, entregando um trofeio.

É assim que umha companheira fijo entrega a equipa de mulheres ganhadora deste ano 2010. Umha ediçom em que o incremento de equipas de mulheres voltou aumentar, sendo o Torneio da zona com maior número de participantes femininas.

Porque as mulheres devemos seguir reivindicando o nosso espaço social e sobre um desporto tam patriarcal como é o fútebol ainda muito mais.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Entrevista Elena

- Quantos anos levas trabalhando ? Sempre no mesmo sector ?
Nom . Levo trabalhando 42 anos. Comecei trabalhar como empregada do fogar e cuidadora em umha casa de Ponte Areias, desde os 13 até os 24 anos. Depois , quando casei, colhemos o restaurante – bar da família de meu marido- no que trabalhei 10 anos. Ao ano seguinte de fechar entrei a trabalhar na secçom de charcutaria no primeiro supermercado que abrírom em Ponte Areias, 1988 e no que ainda trabalho.

-Algumha vez sentiste algum tipo de descriminaçom nos teus postos de trabalho?
Realmente nunca me sentim discriminada de maneira directa já que , ou trabalhei eu sola em ambientes familiares ou , como é na actualidade , trabalho em espaços muito feminizados.
Mas tenho que reconhecer que os homens som mais respeitados no seu trabalho e que seguramente se os supermercados foram mais masculinos , cobraríamos mais e o nosso trabalho estaria mais valorado.


- No teu sector de trabalho actual sodes umha grande maioria de mulheres, que tal o ambiente de trabalho?
Pois... regular. Existem diferenças de idades muito grandes e quiças isso é o que provoca maneiras distintas de ver o trabalho.


- Qual é a tua relaçom e visom dos sindicatos ?
Eu nom estou afiliada a nengum, mas acho que som muito necessários, de facto as melhoras conquistadas ao longo de estes anos fôrom graças às pressons exercidas por estes.


Que horário tés no teu trabalho?
Quando comecei nom tínhamos um horário fixo . Trabalhávamos entre 12 e 14 horas sem dias de descanso. Hoje em dia trabalhamos 9 horas e já temos os descansos que nos correspondem por convénio.


- Como repartes o tempo para dedicar-te a ti e as tuas necessidades ?
Pois ... trabalhando ainda mais . Para poder ter tempo para mim , ao chegar de trabalhar fora da casa, trabalho dentro e assim podo deixar todo organizado para o dia seguinte . Quando quero adicar-me a mim pois tenho que erguer-me antes e aproveitar essas horas antes de entrar a trabalhar. O tempo há que organiza-lo ao milímetro.


- Trabalhadora e mae separada . Como e quantas dificuldades encontraste no caminho?
Buff... Fôrom muitas . Quando me separei tinha que erguer as crianças, de 9 e 4 anos às 7 da manhá para leva-los comigo ao trabalho até entrar no colégio. Tivem que perder-me muitas cousas dos anos mais bonitos, como as actuaçons do colégio , os aniversários ... eu tinha que trabalhar.
Mas tenho que reconhecer que a solidariedade entre mulheres foi o que me ajudou a tirar para adiante. As milhas cunhadas, a que fora minha chefa durante 11 anos, professoras… entre todas foi possível estar separada, educar a duas crianças, trabalhar fora e na casa, etc.


- Consideras necessárias melhoras para a conciliaçom laboral e familiar ?
Por suposto e sobre todo para mulheres que coma mim levárom sós todo o peso de umha família.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entrevista Teni

36 anos trabalhados como limpadora. Estivo toda a sua vida laboral trabalhando fora da Galiza, na França.
- Estiveste numha ou várias empresas ao longo da tua vida laboral?
Estivem em mais de umha empresa, até 7 empresas diferentes: 5 delas do ramo da limpeza.

- Conhecias bem o tipo de contrato e as condiçons que em ele se estipulavam?
Conhecia. Lim sempre todas as condiçons, mesmo a letra pequena. Sempre gostei de ler bem tudo, já que as condiçons afectavam a umha parte importante da minha vida.
- Existiam discriminaçons laborais ou salariais com os homens que na mesma empresa trabalhavam?
Dentro da categoria de limpadora nom houvo nengum tipo de discriminaçom. Enquanto se ascendia em categorias superiores sim era possível achar diferenças e discriminaçons quer salariais, quer laborais. Todos os meus chefes de departamento, responsáveis da empresa, directivos, etc... eram quase sempre homens.
- Horários e Turmas: Compatibilidade laboral e familiar.
Estos últimos anos foi de umhas 10 horas, com umha hora para jantar e repor-te do esforço. Mas nos primeiros anos cheguei a trabalhar 14 ou 15 horas com só umha hora de descanso.
Assim faziam todas as emigrantes da Galiza ou doutros países se queriam obter uns salários que permitiram viver lá com dignidade ou encaminhar ajudas económicas às suas famílias.

- Achavas as condiçons laborais e salariais melhoráveis, entom?
Com certeza. Sempre som melhoráveis, ainda mais no nosso caso ao trabalharmos muitas horas. Mas como vínhamos dumha situaçom pior na Galiza, pensávamos que isto nom estava tam mal e queríamos tirar adiante as nossas famílias.

- Formas parte dalgum Sindicato para melhorar ditas condiçons?
Nom, nom fum sindicalista, sempre me mantivem à margem dos sindicatos. Quando tinha algum problema tentava sair de ele recorrendo pessoalmente aos meus responsáveis ou superiores para luitar por aspectos pontuais que a mim me andavam a importunar
.
- Havia riscos para a seguridade e saúde das trabalhadoras nas distintas empresas em que estiveste?
Havia riscos polos produtos tóxicos que se utilizavam, eu sofrim umha intoxicaçom forte pola que estivem ingressada no hospital e que me deixou seqüelas que ainda hoje ando a padecer.

- Tínhades contactos com os patrons ou só através dos representantes, que sempre eram homens?
Em algumhas sim, mas noutras só era através de representantes ou responsáveis como directivos de dita empresa, quer dizer, quase sempre intermediários.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Entrevista Sara

- Quanto tempo levas trabalhando?

Pois quase já os cinco anos. Começei trabalhar com dezaseis anos nas férias de verám na hotelaría, ainda estudava. Assim sigo hoje, mas já nom só nas férias claro.

- É um trabalho do que gostas?

A verdade é que sim, é muito esclavo... mas tem as suas cousas possitivas, conheces gente de todos tipos, fas novas amizades. Ainda que tenho que acrescentar que nom é o que quero para o meu futuro, por isso continuo a estudar.

- É um sector bastante complexo em multidom de ocassions, algumha vez sentiches algum tipo de discriminaçom polo facto de ser mulher?

Trabalhei desde bares até taperias ou restaurantes, aí há de todo... mas o que sim é certo e que muitas vezes os homens continuam a crer que polo facto de ser mulher e estar detrás do balcom... bom que tes que aguantar de todo. Muitas vezes tes que apresentar-te com um carácter que nom é o teu.

- Estudar, trabalhar e ainda por acima na hotelaría... como compaginas todo?

Bom... pois adicando todo o dia... mas agora mesmo tenho a sorte de contar um horário laboral que me permite seguir estudando. Mas sim, pouco tempo para mim e as minhas necessidades...

- Que opinas das condiçons laborais de teu sector de trabalho?

Agora mesmo estou contenta porque estou asegurada oito horas, ainda que faga algumha de mais... mas já sabes como é a hotelaría... houvo sitios onde estava asegurada por quatro horas e trabalhava 10... e isso é o que atopas em quase todos lados... polo que estou bastante contenta com meu trabalho actual.

- Um sector também altamente feminizado. É máis fácil atopar trabalho sendo mulher?

Bastante fácil. Hoje em dia segue-se pensando que umha mulher trás o balcom "chama máis", polo que haverá maior número de clientela e maior benefício. Suponho que como professora de auto-escola a cousa nom será tam fácil, aí sim que nom sei, nom podo asegurar que vaia ter as mesmas oportunidades que os homens.

- Muitas horas de trato com pessoas de todas as idades, consideras que na juventude há diferências educacionais no relativo à igualdade?

A cousa está muito avançada que há dous ou três anos, mas que nom existe umha igualde real em trato, consideraçom, etc., disso estou segura. É máis, acho que fica muito, muito caminho por andar, que a "igualdade" que há nom chega.

- Estudas para o teu futuro e trabalhas para poder estudar, poderias manter esta situaçom vivndo soa com todo o que conleva?

Definitivamente nom. Minha mae e pai ajudam muito... ainda que a minha situaçom laboral actual é muito melhor que as anteriores, nom poderia nem pagar um aluguer. Mas isto também é devido a que as facilidades para estudar som quase zero. Tenho que pagar o curso que estou fazendo, por isso também tenho que trabalhar e nom podo adicar todo o tempo necessário à minha formaçom.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

VII Certame Literário Feminista do Condado

Mais um ano, de esta volta acadando a sua Sétima ediçom, sae a rua o Certame Literário Feminista do Condado publicamos a seguir as suas bases:

1- A temática será livre sempre que esteja relacionada directa ou indirectamente com a situaçom de opressom, dominaçom e exploraçom que padecem as mulheres no actual sistema patriarcal.

2- Poderám participar todas as mulheres que o desejarem sem limites de idade.

3- Os trabalhos serám apresentados exclusivamente em língua galega.

4- O certame está aberto a qualquer género literário (romance, poesia, teatro, ensaio).

5- O júri é constituído por três mulheres representativas da comarca.

6- O prémio estará dotado com 300 euros, podendo o júri declará-lo deserto ou dividir a quantidade citada em accesits na sua totalidade ou em parte.

7- O prazo de apresentaçom de trabalhos finaliza quinta feira dia 30 de Setembro de 2010.

8- Os trabalhos serám apresentados por triplicado num envelope em que se fará constar na parte exterior o título e um pseudónimo da autora e, em envelope diferente, identificado com o título do trabalho e o seu pseudónimo, serám entregues os dados pessoais da autora: nome e apelidos, Bilhete de Identidade (BI), endereço, telefone de contacto.Os envelopes serám enviados por correio certificado a Rua Ciclista Emilio Rgues nº6 2ºC C.P. 36860 de Ponte Areias, a nome da AMC.

9- O trabalho ou trabalhos premiados ficarám em propriedade da Assembleia de Mulheres do Condado. Embora a autora ou autoras manterám os seus direitos sobre segundas ou posteriores ediçons de ser publicado o trabalho premiado.

10- Os trabalhos nom premiados ficarám a disposiçom das autoras durante um prazo de dous meses umha vez atribuído o prémio. Após finalizar este período de tempo, serám destruídos.

11- A interpretaçom das presentes bases som atribuiçom do júri.

12- A decisom do júri é inapelável.

13- A participaçom no prémio supóm a aceitaçom das suas bases.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Entrevista Marta

- Como compatibilizas a tua vida laboral e familiar?
Saio da casa às seis e meia da manhá e chego as oito e meia da noite, podo-a compatibilizar porque non tenho crianças e deixando as cousas da minha casa a meio fazer muitas vezes por falta de tempo…

- Como é a distribuiçom das tarefas domésticas na tua casa?
Quase que nom há distribuiçom, quase todo por nom dizer todo fago-o eu, sacando tempo do meu descanso para poder fazê-lo, a minha parelha as vezes ajuda, mas poucas vezes…

-Nas ultimas décadas som evidentes os avanços produzidos nas conquistas de direitos. Som mais formais que reais?
Eu penso que sim, que nos dizem que temos os mesmos direitos, e nom é certo. Por exemplo, polo simples facto de ser mulher e “poder ficar grávida” em muitíssimos sítios dam o posto de trabalho a um homem ainda que esteja menos capacitado.

- Cada vez som mais as mulheres conscientes da importáncia de umha educaçom igualitária. O sistema educativo nom segue reproduzindo os roles da desigualdade?
Eu penso que tanto o sistema educativo como muitas maes que conheço. Ainda há colégios onde as crianças som separadas por sexos, ao igual que há mulheres que ainda fam diferenças entre os filhos e as filhas, como no horário de saída, na casa som as nenas as que tenhem que recolher a mesa, lavar os pratos… enquanto eles jogam com as “maquinitas”.

- Os dados manifestam que realizando idêntico trabalho umha mulher cobra 25% menos que um homem. Como pensas que se pode modificar esta desigualdade laboral?
O primeiro que temos que fazer as mulheres e exigir nos trabalhos sempre os nossos direitos; no salário, nas férias, etc. A igual posto de trabalho igual contrato, porque o trabalho a desenvolver é o mesmo.

- Como traballadora tés padecido algumha forma de discriminaçom laboral?
No meu trabalho nom, eu som empregada do fogar, e aqui sempre se trata com as mulheres mais que com os homens. Eu em concreto nunca sentim um trato discriminatório.

- No teu sector concreto quais som as principais demandas para melhorar as condiçons de trabalho?
O mais urgente e poder ter um contrato de trabalho, no que se nos reconhecesse que é um trabalho, que temos que realizar para os nossos chefes também podam trabalhar. Deveríamos ter direito ao desemprego, que non temos. E na segurança social cobrar as baixas desde o primeiro dia coma qualquer trabalhadora remunerada, porque agora tés que ter mais de 29 dias de baixa para cobrar, com o qual se o chefe nom quer pagar-te esses 29 dias, nom cobras nada.

- A luita feminista tem logrado que a violência machista vaia perdendo impunidade. Ainda fica muito por andar?
Acho que sim, fam falha umhas leis muito mais duras, para que maltratar, ter amedrentada e mesmo matar a umha mulher nom seja tam barato. Também som necessários mais meios para que quando umha mulher nom deixe passar nem primeira sensaçom de maltrato que perceba. As leis deveriam obrigar a que sejam eles os que se vaiam da casa, nom as mulheres, que em muitos dos casos tenhem que deixar família, amigos e seu fogar para poder escapar, sem que ninguém faga nada para que a situaçom mude.

domingo, 25 de abril de 2010

Contra as agressons AUTOORGANIZAÇOM!

Dous novos casos de violência machista contra mulheres do Condado. Um dos agressores acumula já várias denúncias por ataques a mulheres. Perante os nossos olhos, na nossa vila, na nossa paróquia, as nossas vizinhas, amigas e companheiras de trabalho estám a ser brutalmente agredidas. Mais umha vez, parece que só as feministas estamos dispostas a denunciar e actuar… e assim é, estamos dispostas!

Já chegou de fecharmos os olhos e calar. A diário as mulheres do Condado levamos hóstias, somos perseguidas e violadas, vivemos com medo dos homens, nom temos outra que obedecer os nossos maridos e companheiros se nom quigermos levar umha tunda. Sabemos bem que as quatro linhas que -de má vontade- publicam os jornais som apenas umha ínfima parte do problema. Som poucas as mulheres que se atrevem a denunciar e menos ainda as que decidem fazê-lo publicamente.


Os juízes, os representantes municipais, os polícias e guardas civis nom vam acabar com a violência contra as mulheres. Eles som parte do problema, eles som cúmplices (e por vezes responsáveis directos) da situaçom que padecemos. Som os que nos esquecem nos actos oficiais, som os que nos questionam e desprezam quando denunciamos, som os que ditam sentenças ridículas contra os nossos verdugos, som os que nos negam o apoio económico que necessitamos para sairmos adiante por nós próprias...


É questom de vida ou morte. Nom vamos esperar à notícia dum novo assassinato. As mulheres do Condado temo-lo claro, a única saída que temos é a autoorganizaçom, juntarmo-nos e enfrentar o terrorismo machista lá onde aparecer, denunciar e conscientizar, arroupar as vítimas e fazer-lhes um sítio para que luitem ao nosso lado, encurralar os agressores e dar-lhes o que merecem. Porque unidas somos fortes, muito fortes, unidas nom há medo, unidas podemos defender-nos e devolver os golpes.


Da Assembleia de Mulheres do Condado fazemos um apelo urgente às vizinhas da comarca para se somarem ao combate contra o terrorismo machista. Pom-te já em contacto com a AMC!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Exposiçom



Na casa cultural de Salzeda podede-la visitar durante quinze dias.


Reproduzimos mais umha das entrevistas, desta volta a Eli, mulher autónoma imigrante peruana.



- Qual foi o motivo que te levou a tomar a decisom de vir à Galiza na procura de um futuro melhor?


Vivo na Galiza há quase 8 anos. Desde há 3 com a cidadania espanhola; realmente os motivos por que vim a Espanha fôrom pessoais, nunca estivérom relacionados com melhorar o meu futuro, antes de vir aqui já havia 17 anos que saíra do meu país de origem, Peru.


- Damos por feito que encontraste muitos problemas e travas para sair adiante. Achas que o ser de outro país ou o facto de ser mulher contribuiu à hora da tua integraçom?


A minha experiência como imigrante levou-me a viver experiências algo desagradáveis mas nom polo feito de ser mulher, sinto que isto nom só o vives na Espanha, Galiza ou Ponte Areias; sempre vás estar em desvantagem por chegar de fora, por ter que “demonstrar” que és umha pessoa de bem, sim que podo afirmar que em Ponte Areias vivim situaçons extremas de este tipo; e no seu momento sentim-me questionada, sentim sobre mim a etiqueta de “sudamericana quita-maridos”, pola particular situaçom de muitos lares destruídos nesse momento, algo que sem ser aceitável sim chegava a ser compreensível, mas podo afirmar que muita dessa mesma gente maior que no seu momento me prejulgou, valoriza e reconhece hoje o meu trabalho, polo que me sinto mui orgulhosa da minha condiçom de imigrante.


- Como imigrante ou mulher trabalhadora que demandas farias para melhorar a vossa situaçom?


Acho que em geral nom existem programas de integraçom no governo local e se os há, os mesmos nom fôrom devidamente divulgados. O mais fácil sempre foi julgar e achacar à comunidade imigrante de muitos dos problemas sociais, mas nunca se estabelecêrom nexos para tentar dar soluçom aos mesmos, o ao menos eu nom tenho conhecimento de que existam.


- Que opinas sobre esse invento do sistema que favorece a xenofobia e o machismo que afirma que sodes pessoas que vides de outros países a "sacar" o trabalho?


Esta pergunta vai muito relacionada com a segunda, sou das que pensa que se bem é certo deve existir umha política de fronteiras abertas nom é menos certo que aquela pessoa que opte por emigrar a este país ou a qualquer outro, deve fazê-lo com a convicçom de que se lhe abrirá umha porta e dentro dela deverá esforçar-se para integrar-se, devendo ser sempre ela ou ele quem se adapte às formas de vida do lugar ao que chega e nunca pretender que se adaptem os costumes que trazemos dos nossos países. De existir essa atitude creio que definitivamente essas posiçons xenófobas nom se desenvolveriam, que a convivência seria mais tolerável. Do resto nom estou de acordo em que lhe tiremos o trabalho a ninguém porque dificilmente se nos beneficia em nada, sempre nos vemos duplamente obrigados a demonstrar que estamos preparados para ocupar esses postos que ocupamos.


- Consideras que o facto de que muita gente pense assim deve-se a umha escassez intencionada de informaçom acerca do nosso próprio passado e pressente emigrante?


Nom, nom considero que se deva a isso porque fôrom épocas diferentes. É mais bem umha errónea percepçom de que sempre a gente que vem de fora é gente que escapa de climas de violência ou necessidade e muitas vezes nom é o caso, porque existem todo tipo de imigrantes e cada um/umha com umha realidade diferente, bom, deve-se reconhecer que muitas vezes nom temos feito @s imigrantes as cousas bem para demonstrar que todas as cidadanias tenhem as suas cousas positivas e também negativas.


- Como é a tua visom da sociedade galega?


Reitero é umha sociedade extremadamente conservadora, muito fechada e desconfiada, que tende a abrir-se quando se demonstra que umha tem decidido viver na sua terra com intençom de progredir e integrar-se dentro de limites de respeito.


- A nível de direitos femininos notas mudanças com respeito da sociedade que deixa-che atrás?


Vivim 17 anos em Califórnia, Estados Unidos e obviamente os direitos da mulher nesse país estám mais desenvolvidos, a mulher no espanhola começa a ganhar-se agora um lugar dentro de umha sociedade que sem chegar a ser machista levava mui arraigada a posiçom de que a possibilidade de que umha mulher se desenvolva mais alá do seu papel dentro do lar era limitada, situaçom contraditória tendo em conta a transcendência que tivo essa mulher na guerra civil e a recuperaçom da democracia em Espanha.


-Para rematar conta-nos como se desenvolve o teu dia a dia


Pois o meu dia a dia é como o comum cidadao, meter-lhe horas ao meu negócio próprio – -conect@te ciberlocutorio-, o qual como a maioria dos negócios actualmente vem esquivando as inclemências da debilitada economia do país. E nos momentos livres que som poucos compartilhar com a família, amigos e conhecidos que som de diversas cidadanias mas que na sua maioria atopam-se totalmente integrados nas costumes da populaçom galega.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Exposiçom


A exposiçom de AMC com motivo do Centenário do 8 de Março acha-se agora em Ponte Areias no café-bar Onde Sempre na rua Redondela.
Estará nesta ubicaçom um par de semanas. Imos reproduzir no nosso blogue todas as entrevistas e para começar Ana Vicente Amoedo.






- Conheces na sua totalidade todas as condiçons que se estipulam no teu contrato:

Conheço. Desde os inícios, nas distintas empresas em que trabalhei tentei sempre conhecer a fundo todas as condiçons estipuladas nos contratos, lendo mesmo até a letra pequena.
- Tipo de trabalho que realizas.

Eu, como todas as companheiras, passei por todos os empregos distribuindo-nos a todas em turmas; serrar, embalar… Excluindo as tarefas administrativas.

- É um trabalho realizado só por mulheres?

Nom teria porque ser assim, mas nesta empresa somos quase todas mulheres. Há homens, mas nom fam o trabalho que fazemos as demais, os homens som os encarregados, os chefes, etc.

- Achas os horários e turmas ajeitados para conciliar a tua vida laboral e familiar, sendo mae de três nenas?

Nom. Ter que mudar de turmas por semana fai muito mais difícil conciliar a vida laboral e familiar. Mas também o meu corpo de algumha maneira o nota, ao ter que adaptar-se a horários diferentes; cansanço tanto fisico como psicologicamente. Com três crianças ainda é mais complicado. A empresa nom pom nengum tipo de meios para poder conjugar a vida familiar e laboral, como um serviço de infantário ou como poder escolher o horário mais ajeitado à tua situaçom.

- Achas melhoráveis as vossas condiçons laborais? Por quê convénio vos regedes?
As condiçons sempre som melhoráveis, há muitas situaçons intoleráveis para desenvolver o nosso trabalho em condiçons óptimas. O convénio que possuímos é um convénio assinado por UGT e CCOO e estamos tratando de mudá-lo e adapta-lo às nossas necessidades e nom às dos patrons.

- És Sindicalista. Achas necessário este trabalho adicional, além do que já tés?

Acho o meu trabalho como sindicalista nom só necessário, mas imprescindível para melhorar as condiçons e a situaçom laboral de todas as operárias de esta empresa.
Nestes momentos estamos em reunions com os representantes da patronal da nossa empresa para melhorar a situaçom salarial e atingir aumento de salário, 900 euros. O salário que recebemos actualmente é muito baixo, 750 euros. Já levamos dous anos luitando para melhorar as condiçons, mas os patrons só procuram o seu máximo benefício, sem ter em conta a qualidade de vida e dignidade das operárias.

- Para mudar a vossa situaçom estades em contacto com os patrons ou com seus representantes?

Com os patrons directamente nom negociamos, só com os seus representantes na empresa… talvez saibam da exploraçom à que nos mantenhem e é preferível manter distáncias.

- Som muitos os Riscos Laborais aos que estades expostas?

Som. Tantas horas continuadas, sem mais descanso que um quarto de hora, dam lugar a problemas de fatiga que podem provocar a perda da atençom e trazer consigo acidentes laborais, esforços ao fazerem o mesmo movimento repetidas vezes que dam lugar a tendinites, problemas lombares, dores de cabeça... Ainda que se nos proporciona roupa para o frio, as temperaturas também som mui baixas e isso da lugar com o passo do tempo a problemas de reumatismo, artrite ou artrose…

segunda-feira, 8 de março de 2010

8 de Março Dia Internacional da Mulher Trabalhadora

Quem propujo a comemoraçom de um dia dedicado à mulher trabalhadora?

Foi Clara Zetkin durante a II Conferência Internacional das mulheres socialistas em 1910, para luitar polo direito ao voto, o direito ao trabalho e contra a discriminaçom, sem determinar um dia concreto.

A primeira vez que se celebrou este dia em Europa foi 19 de Março de 1911, data proposta por Alexandra Kollontai. Ao longo dos anos seguintes fôrom realizando-se comemoraçons em diferentes paises e em datas que nom sempre coincidiam, ainda que sempre tendo como referência o mês de Março.

História sobre da celebraçom deste dia e qual foi a razom de eligir 8 de Março.

O periodo que vai desde finais do S. XIX a princípios do XX, foi umha época de luitas, de greves, manifestaçons polas condiçons laborais e salariais das trabalhadoras/es, que eram inumanas, ainda que as mulheres nom reclamavam entom a igualdade salarial. Mas estas eram o sector mais oprimido e explorado polos patrons polo que nom duvidarom em somar-se à luita por melhorar a sua existência.

Quase todas as celebraçons deste dia durante a segunda década do S. XX realizarom-se ao redor do mês de Março, seguindo umha série de acontecimentos: greves, manifestaçons, acçons de protesto na rua e outras.

Um momento importante a resenhar é o ano 1917, em Rússia, neste 8 de Março, as mulheres operárias iniciárom umha greve com manifestaçons, saíndo às ruas pedindo pam, paz e liberdade, polas condiçons de miséria à que estavam a serem submetidas.

É um feito importante na nossa história, já que estas mulheres marcariam umha das primeiras fases da Revoluçom russa.
É a partir do ano 1922 que se instaura definitivamente esta data do 8 de Março e se espalha desde aqui a outros paises.

Já nos últimos anos da década dos 20 desapareceu esta data do calendário polo ascenso do nazismo e fascismo e posterior Guerra Mundial, e nom seria até os anos 60 que se recupera vinculado aos movimentos feministas e à luita por atingir igualdades salariais.

Quais som as nossas reivindicaçons para este dia?

No ámbito laboral existe a discriminaçom por sermos mulheres e por sermos trabalhadoras com umha dupla jornada laboral, nos centros de trabalho e no fogar. Queremos atingir a igualdade salarial com o homem, na procura dum salário e dumhas condiçons e relaçons laborais que permitam desenvolver-nos com os critérios ajeitados de dignidade e óptima qualidade de vida.

Também queremos lembrar a todas aquelas mulheres que luitarom por conquistar uns direitos que nos pertencem e polo que muitas fôrom reprimidas, encarceradas, maltratadas e até assassinadas. É um dia de lembrança, mas também de reflexiom de como devemos avançar na nossa luita para atingir a igualdade real de direitos e contra a opressom e exploraçom que nos impom esta sociedade machista e este sistema capitalista.

Têm sentido a dia de hoje continuar a celebrar este dia?

Hoje mais que nunca é necessário continuar a reivindicar e luitar polos nossos direitos sociais e laborais. As mulheres hoje em dia, com a crise e ocaso do capitalismo estamos a serem as mais afectadas polos recortes que impôm os patrons. As diferenças e discriminaçons laborais e salariais som cada dia mais evidentes.

Deste jeito a diferença salarial da mulher trabalhadora da Galiza é superior a um 25%, com respeito ao homem, cobrando um 74,5% do que cobram os homens. Os trabalhos som em precário e as condiçons laborais estam-se a deteriorar cada dia mais polos efectos desta crise causada por um sistema injusto que nos oprime, marginaliza e agrede impedindo a nossa libertaçom.

Condado, 8 de Março de 2010

domingo, 7 de março de 2010

8 de Março todos os dias























O Dia Internacional da Mulher Trabalhadora deste ano é especial porque há um século foi instaurada a data na II Conferência Internacional das Mulheres Socialistas seguindo a proposta da comunista alemá Clara Zetkin.
A AMC comemora esta efeméride com umha exposiçom que se inaugurou sábado 6 de Março na feira de Ponte Areias onde se recolhem oito entrevistas a oito vizinhas do Condado e que percorrera diferentes lugares da comarca dos que informaremos mais adiante.
Durante a manhá do sábado foi distribuido o manifesto que elaboramos para esta ocassiom. Nos dias prévios a AMC reivindicou na rua esta data de luita para a libertaçom da mulher.